Penso que a vida é como um rio cujas águas sempre caminham em direção ao oceano.
“Nenhum homem entra duas vezes no mesmo rio, porque já não é o mesmo homem, nem o rio é o mesmo.”
Heráclito
Gosto muito dessa analogia, pois temos um nascedouro e caminhamos nossa jornada, seguindo o fluxo da vida: destino, Karma, ou qualquer outra definição que diga respeito a isso.
Esse fluxo tem seu curso próprio, suas curvas, sua velocidade própria e, também, momentos de calmaria.
Já dizia o poeta: “Deixe a vida te levar”, e me parece – por conta de minha percepção – que é bem por ai.
Já houve momentos em que desejei muito algo, e nada. Por outro lado, aconteceram-me coisas que jamais cheguei nem sequer perto de querer pensar a respeito, e algo caiu de “para-quedas” à minha frente, como costumam dizer. Da mesma forma, quantas pessoas conseguiram algo que eu queria, eu não, e vice-versa?
Simplesmente, cada rio tem seu próprio curso. E a vida seguiu-o.
Quando as coisas dão erradas
Tal como alguém que se encontra perdido em meio a uma turbulência da correnteza, assim também é a vida. Por vezes, tentamos fazer algo do nosso próprio jeito, e começamos a agir por conta própria, contrariando os sinais, os caminhos que a vida nos dá, e começamos a levar “porrada” de todos os cantos, dando “murro em ponta de faca”.
Pensamos muito racionalmente e nos esquecemos de ouvir nosso coração, o som de nossa alma, que nos diz os caminhos, nossa vocação, indicando o curso em direção ao grande oceano, que é o destino final e para o que nos preparamos a vida toda: “Terminar bem”.
E, quando agimos por conta própria, ouvindo apenas a razão, escolhas fundadas em poder e riqueza, talvez, não sendo nosso verdadeiro caminho pelo qual antes de virmos a esta vivência, parece que a vida trunca. Nadamos contra a correnteza, esgotando-nos e, literalmente, afogando-nos nas águas que não são nossas.
Deixe o rio fluir
A vida é bela por essa mesma razão: não nascemos prontos e estamos nessa jornada para, paradoxalmente, aprender a nadar. Seguimos caminhos, lutamos, temos sucesso ou não, nos cansamos, e, ao final, de uma forma ou outra, seguindo caminhos tortuosos ou não, chegamos ao final.
Parar e respirar, ouvir os sons e sinais da natureza, do universo, fará com que voltemos a flutuar e remar contra; voltaremos a seguir o curso da vida.
Se, depois de tantas lutas mal sucedidas, mas aprendidas, começarmos a ouvir nossa voz, nossos valores e princípios, as coisas tenderão a fluir. Coisas que estavam em nosso caminho começarão a aparecer, e, assim, conseguiremos paz no coração, realização e sucesso em todas as áreas de nossa vida.
Veja, às vezes, não é que novas oportunidades surgiram, sim porque estávamos obcecados por algo, presos ao turbilhão de pensamentos, raiva, disputas, que não conseguíamos ver o que estava bem diante de nós o tempo todo: seu grande amor, um trabalho, uma profissão etc.
Como em uma canoa: se não remarmos, deixando a correnteza nos levar, talvez, seja melhor que remar contra a correnteza…
A coragem para entrar no rio
Ninguém conhece bem um rio, olhando-o apenas pelas margens. Cada gota d’água, cada oportunidade que surge, é única, e jamais poderemos conhecê-la, se não estivermos “nela”, em suas águas.
Na verdade, toda essa analogia e metáforas somos nós mesmos, e esse rio tem um nome: o seu, sua vida, sua história.
Ao final, desaguaremos em um grande oceano. A diferença entre ter levado uma vida truncada, cheia de obstáculos e dificuldades, e uma vida mais plena, leve e feliz, é que nesta última poderemos ver as belezas do que há no percurso, as paisagens, as pessoas que habitam suas margens, e o “sabor” das próprias águas.
Servir bem, Viver bem para Terminar bem, minha filosofia de vida.
Todos nós chegaremos ao oceano. A única escolha que realmente temos é decidir como faremos essa travessia.
Rabindranath Tagore escreveu:
“O rio encontra o mar porque não teme perder seu nome.”


No responses yet